O Alcoolismo começando na Adolescência

O Alcoolismo começando na Adolescência

Muitas vezes as pessoas não têm noção que um pequeno gesto na infância poderá trazer no futuro imensos problemas sérios e graves.

As consequências de um ato isolado na infância, poderá ser a perda de aulas ou mesmo a reprovação do ano letivo, ou ainda podem surgir problemas de saúde, ou judiciais num futuro mais longínquo.

A adolescência, caracterizada por mudanças rápidas no físico, no psicológico e no social, implica na crise de identidade. Metaforicamente o adolescente é como um barco cujo controle deve ser feito com o maior cuidado, para que com os maus ventos, as chuvas e as ondulações não os levem para longe do seu porto seguro e da segurança que a Terra deverá trazer.

Se por acaso nos deslocássemos a um bar frequentado maioritariamente por jovens, abordássemos um adolescente e perguntássemos a razão pela qual ele esta a ingerir bebidas alcoólicas, certamente que a sua resposta seria um vazio, e repleta de um sentimento de auto-afirmação perante outros, assim como uma forma de se afirmar dentro do seu grupo de amigos.

Para entender a necessidade do consumo desnecessário de bebidas alcoólicas na adolescência, podemos começar por perceber a necessidade de beber como uma forma de se integrar, ou seja, um ritual de integração perante os outros presentes. Nesse sentido o ato de ingerir bebidas alcoólicas não oferece qualquer tipo de problema. O problema sério acontece quando deixa de haver uma justificação plausível para esse consumo.

Para exemplificar isto é só levar em conta um elemento realístico que acontece ou já aconteceu com a maioria dos jovens:

O indivíduo gosta de alguém e faz de tudo para conquista-lo (la). No decorrer deste processo ele consegue conquistar a tal pessoa para estabelecer um relacionamento estável. A grande maioria dos jovens celebra esta conquista alcoolicamente.

Aqui encontramos o ato de beber como um ritual de comemoração.

Mas vamos imaginar o mesmo indivíduo que está a namorar com a tal pessoa e com o tempo este relacionamento acaba por ter problemas diversos, chegando mesmo ao seu final.

Depois de inúmeras tentativas de volta, porém todas sem efeito, o que resta a este indivíduo? Beber para afogar as mágoas.

Neste momento qualquer pessoa enunciava a questão: Qual o problema de beber para afogar as mágoas?

O problema está em que o indivíduo vai beber até que estas mágoas sejam realmente afogadas, coisa que vai levar tempo, muito tempo levando o mesmo indivíduo ao condicionamento do beber sempre que ele precisar afogar mágoas. Criando assim uma necessidade de consumo de álcool sempre que haja um dissabor na sua vida, ou sempre que a recta da sua vida se torne em autênticas curvas constantes.

Uma segunda razão é a procura da independência, uma independência que, hoje em dia, é cada vez mais tardia. O principal problema do jovem de hoje em dia é a entrada no mundo do trabalho. No entanto a entrada no mundo do trabalho já condiciona o jovem a mais dois compromissos: casamento e habitação.

O consumo de álcool entre os jovens é cada vez maior.

Além destes motivos mencionados acima, surge um outro problema que está a atacar cada vez mais a juventude moderna, o que os faz cair em profunda depressão: hoje em dia já não chega ter um curso para garantir o emprego.

Concluindo, hoje em dia não existe uma razão específica para o consumo do álcool, o que há é uma necessidade extrema de encontrar razões para justificar o consumo do álcool que se tornou um ato super banal e compreensível, não só entre os jovens como mesmo com alguns pais que acham que é apenas uma fase e mais tarde tudo regressará à normalidade, o que nem sempre acontece.

A necessidade de fuga sempre que surge um obstáculo na vida, leva aos jovens a recorrer ao mais fácil, o chamado “beber para esquecer”, ao contrário de lutar pela vida e por uma solução, o que normalmente tornaria o jovem numa pessoa mais madura e com mais facilidade de gerir a sua vida de uma forma independente e com força suficiente para aguentar tudo o que a sociedade necessita.